Arquitetura da Solidão

Arquitetura da Solidão e Pública são trabalhos que visam discutir dois aspectos primordiais: a construção e representação da realidade no vídeo e na fotografia e a relação entre o espaço público urbano e os habitantes da cidade.
A série de fotografias intitulada Arquitetura da Solidão apresenta espaços públicos do centro da cidade de São Paulo. Estes locais são vistos de um ponto de vista afastado, construindo dentro das imagens uma relação entre a arquitetura e o personagens. Há uma dominância da arquitetura dentro das composições, evidenciando a vazies destes espaços públicos e sua subutilização.
Como complemento para esta discussão Pública é um vídeo ficcional que foca a relação de um casal dentro da cidade de São Paulo. Conforme eles ocupam variados espaços públicos, sua relação se consolida ou se desfaz. O vídeo, feito com técnicas de cinema documental, se aprofunda na discussão da construção e representação da realidade em meios fotográficos e audiovisuais.
Arquitetura da Solidão problematiza a comparação entre olho e câmera, desconstruindo esta relação. Uma fotografia não é um fragmento de olhar congelado pelo fotógrafo, mas sim uma construção visual mediada por um equipamento de escolha e operação do fotógrafo. Em resumo, toda fotografia é uma escolha e uma representação. Tendo consciência da minha condição de criador e não de reprodutor de uma realidade, pude dentro do trabalho buscar resultados visuais que se relacionassem da maneira mais completa possível e criassem o conjunto de imagens que eu buscava.
Para o desenvolvimento do processo audiovisual deste trabalho as mesmas questões foram levadas em conta. No caso de Pública, o processo de produção mistura ficção e documentário, assim como nas fotografias de Arquitetura da Solidão.
As imagens que compõem este trabalho foram feitas usando técnicas da fotografia documental, porém são ficcionais, já que nenhuma fotografia representa um recorte da realidade, mas sim a construção visual de um fotógrafo e de seu aparelho. Já Pública apresenta uma narrativa ficcional, que foi registrada utilizando técnicas de produção audiovisual documental. Os espaços apresentados não foram alterados de maneira nenhuma, não houve alterações de luz ou de som, somente os dois personagens que caminhavam em frente a câmera que foram orientados.
Percebe-se, portanto, que tudo é ficção e que, na ausência de um registro real, tudo é documento. Esta dualidade é o que move este projeto e aumenta a discussão sobre o tema dentro da produção fotográfica e audiovisual contemporânea.
A outra grande questão deste trabalho é a relação entre os habitantes dos grandes centros urbanos e seus espaços de uso público. Cada vez percebe-se um movimento de individualização e afastamento dentro destes grandes centros urbanos. Seus espaços públicos perdem sua função, acabam sendo utilizados somente como ponto de transição entre um destino e outro.
Tanto Arquitetura da Solidão como Pública problematizam esta questão através da exploração destes locais e da construção de um São Paulo aberta, pública, de espaços belos e vazios.
As fotografias deste trabalho buscam revelar espaços esquecidos do centro de São Paulo, além de apresentar a vazies destes espaços, que cada vez mais são subutilizados. Não há uma investigação ou um levantamento científico dos espaços paulistanos, mas sim uma descoberta pessoal e a construção de uma visão artística de um espaço tão rico como é o centro paulistano.
Pública apresenta uma visão complementar à de Arquitetura da Solidão. O vídeo que compõe a exposição problematiza a maneira com que os espaços públicos alteram nossas relações e nossa vida em geral. Ao acompanhar o casal protagonista, percebemos as transformações em sua relação de acordo com o espaço que eles ocupam.

(Pública também está disponível para visualização neste site)

For
University of São Paulo – Undergrad final project
Date
2009-2011