Os que vieram antes de mim

Sou filho único. Minha mãe tem um irmão e uma irmã. Minha avó, oito irmãos, meu bisavó, doze. Para mim, há uma família próxima e presente e uma outra família – composta de tios-avós, primos de segundo grau e afins – que eu nunca conheci.
Com o passar das décadas a família foi se diluindo, com pequenos núcleos se espalhando pelo país. A noção de um núcleo central, tão importante, há cinquenta anos, não existe mais, fazendo com que os membros dessa nova geração familiar fiquem cada vez mais distantes, isolados em grupos mais imediatos: pais, alguns poucos primos e avós.
Os que vieram antes de mim parte de um universo de 200 fotografias da família Azevedo, da minha avó materna, escaneadas para um grande encontro familiar no início dos anos 2000. Dentro deste universo busquei por imagens em que estão familiares que estavam vivos quando nasci ou que ainda estão vivos, mas que eu nunca conheci. Nessas imagens quase todos interagem com familiares muito próximos a mim, como minha mãe, meu tio e minha avó.
Desse conjunto de 200 foram selecionadas 12 imagens, acompanhadas de trechos de três documentos familiares: o diário de meu bisavô, uma curta biografia de um de meus tios-avôs e um documento oficial da prefeitura de Piracicaba, SP, sobre a criação de uma praça em homenagem a um de meus familiares.
Os familiares que não conheço nas imagens tiveram seus rostos escurecidos e numerados. Essas 12 imagens recontam a história dessa família que eu não conheci, criando uma nova narrativa de anônimos tão presentes, tão próximos de mim.
Os que vieram antes de mim mostra a profunda transformação pela qual as famílias latinas passaram no último meio século. Essas imagens são uma metonímia dos novos hábitos, ambições e formatos familiares. Este ensaio é um mergulho na minha memória familiar, indo de encontro a um curioso fato: não conheço boa parte da minha família.

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2014

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